Thursday, November 23, 2006

Auto-flagelação desaforada

A viagem é constante e rica em surpresas, boas ou não, dizia Fininho, ao perceber que uma figura inusitada, estampada na porta do guarda-roupa, o reparava. “Porta da Alma”, devidamente apelidado, propiciava uma realidade diferente. Deixou-se descobrir aos olhos viciados, programados e apoiados em algo denominado razão, “fonte detentora de todo conhecimento”. Por qual motivo, pensava eu, Luiz Gonzaga, ele teria morrido sorrindo? A resposta pode aparecer sob diversas formas. Todavia, a mais plausível, analisando o contexto histórico, vem a ser: não há respostas. Nada pode ser nada, nada pode ser tudo, tudo pode ser tudo, tudo pode ser nada. Viva ou cague sua história. As conseqüências, ignorando os valores morais, implicam a toda humanidade. Dito isto, eu, agora João Donato, vago na incerteza dos meus olhos. E o que vejo? Vejo tudo se encontrar no meio do nada. Pílulas da mentira dão-me sensação de liberdade. Seria então o livre-arbítrio somente uma meia verdade, ou estaria eu, atualmente Poeira Cósmica, delirando? Os fatos, raramente me importam. Os espelhos? Quebrem todos eles, reveladores insanos ao diagnosticarem meu ser. Porta da alma continua inerte. Estaria ele vagando em pensamentos? Fininho, mais uma vez fizera minha cabeça. Oh, Fumaça, deixe-me tragá-la no descortinar bombástico de minhas derradeiras palavras: “há mais de dois mil anos venho confirmando ser a perfeição entre os simulacros. Continuem vocês, dizimistas alienados, envoltos na arte do charlatanismo, clamando por minha vinda, amém”.

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