Quando Evelin percebeu o sol ainda estava frio. Era manhã de um dia qualquer, numa cidade qualquer, igual a todas as manhãs. Igual a todas as manhãs, sempre as mesmas, manhãs cheias de mudanças, sem mesquinhas novidades. É o palhaço na avenida, que agora ocupa a vaga que antes era da mulher da vida. É o nobre engravatado, em seu carro blindado, parado no sinal, que pela madrugada devia ser ignorado. É a tia dona Maria, na companhia do seu jardim, escutando das meninas flores, segredos que já sabia. Era a rua sendo travestida, maquiada conforme se exigia, aos sabores da clientela, sem mesquinhas novidades. Toda manhã era assim. Quando Evelin percebeu, o sol ainda estava frio. Era manhã de segunda-feira, numa cidade qualquer, igual a toda segunda-feira. Igual a toda segunda-feira, de volta ao trabalho, após um domingo legal com a tv desligada. Quando Evelin percebeu, repartiu a novidade.

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