Saturday, May 12, 2007

[Criação]

Rubra carne clandestina
Hemorragia capital
Crime, medo e delírio
Aversão a moral

Sete vidas
Sete palmos
Sete lamentações

Almas podres
Rush das almas
Em busca de satisfações

Sete léguas
Sete caminhos
Sete crimes capitais

Inquisição
Tortura
Morte em nome da paz

Sete injúrias
Sete fugas
Sete alucinações

Deus
Comércio
Fortuna
Sete dias que não voltam mais

[Crime sem castigo]

Marginal,
Aquele que a lei protege
Marginal,
Crime do colarinho branco
Marginal,
Que vota por aumento do próprio salário
Marginal,
De fala rebuscada a um povo sem glossário
Marginal,
E a leptospirose repousa no cenário dos engravatados
Marginal,
Por que assim devo chamá-lo
Marginal.

- Voz no hemisfério -

Eu, o passo impreciso, busco
Tu, melodia de um chão de folhas secas

Eu, o remédio da cura, alastro
Tu, sentimento dúbio de minha natureza

Eu, o feto maduro, caio
Tu, reverbera-me em ave cancioneira

Eu, o jogo do joio, trapaceio
Tu, amigo de minha (in)certeza

Eu, o centro de tudo, inseguro
Tu, segura-me com mãos certeiras

Eu, o verbo irregular, me ausento
Tu, colore-me no “eu” dos teus pensamentos

Eu, a carne do tecido, moída
Tu, tempero imperativo que me cerra a ferida

Eu, homem descabido, vivo
Tu, faz-me companhia
Bastou que a embarcação resistisse às correntezas do rio saudoso, para quando, no desague ao mar, viesse um golfinho tombar o barco. Sabiam nadar as lesma. Só não sabiam do sal.