Saturday, September 15, 2007

Na Rua do Sol

Na rua do sol. Não vá achar você que na rua do sol aconteça somente coisas belas, um dia alguém acorda ruim e, tragédia, tragédia, tragédia, tiros na multidão, na rua do sol,
o homem e sua criação, um fuzil e tiros certeiros, o dedo indicador puxando o gatilho, sangue ao vento e corpos ao chão, chamem a ambulância que hoje a pele foi perfurada e sua validade agora vence para a morte. O genocida entra numa espécie de disco voador e some, mas tudo é registrado pelas câmeras de segurança e as autoridades responsáveis pela averiguação do caso afirmam que em breve o terão solucionado.

O motorista do automóvel, após 1h17min preso no engarrafamento chega, às 06h45min na rua do sol, e lá trabalha todos os dias, e todo dia é assim: engarrafamento e 06h45min na rua do sol. Hoje não foi diferente mas o amanhã há quem desconfie. O motorista cai às 06h45min, pontualmente, morre, perde para a vida, vira estatística, o oitavo corpo numa fila de trinta, Casos de um Genocida, na rua do sol.

06h45min. Há uma escola na rua do sol que atende toda a cidade: crianças, jovens, adultos e idosos que tenham algo a compartilhar com os professores e contratados. É sabido que deus escreve certo por linhas tortas e hoje ninguém foi à aula. Motivo: paralisação, por cumprimento de acordos que o governo ignora. Tiros na multidão, em frente à escola.

Na rua do sol, onde os carros não param, sempre, nunca há remédio nem choro, acontece coisa diferente, alguém acorda ruim, descontente, sorriso não há que lhe sirva, a não ser o seu enquanto atira, aleatoriamente, tem munição de sobra, tragédia, tragédia, tragédia. O genocida entra numa espécie de disco voador e some.

O prefeito renuncia ao cargo, borrado de medo, prefeito de merda, perfeito. Os moradores abandonam a cidade, que é invadida por ufólogos e outros curiosos, jornalistas vêem no encalço. O resto do mundo precisa saber dos fatos. Na rua do sol.

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